sábado, 10 de Outubro de 2009

Estou a definhar, a delirar, a extasiar o ritmo dos sentimentos. Correm-me nas veias e chegam-me à ponta dos dedos, dão meia volta, chegam à cabeça e dão-me cabo dos nervos. É um sururu quando não estás e pior ainda se estás. Juntam-se todos, querem todos vir à tona, falar gritar saltar e dissertar e às tantas estás tu, feito espanto boquiaberto a tentar perceber o que digo. E eu calo-me e o sangue começa a ferver, a ganhar volume a apertar-me as artérias e fico rosada e tu ris e quase rebento. Quero tocar-te, pousar minhas mãos nas tuas e deixar-te sentir o que sinto, quero abraçar-te para que sintas o frenesim do meu corpo. Arranja maneira de acabar com isto, consome-me até ao fim, filtra-me o sangue põe-me a soro e camisa-de-forças, rápido. Tão rápido quanto consigas porque o meu corpo não pára e os sentimentos não morrem e eu envelheço e rejuvenesço todos os dias, num misto, numa carambola de vidas. Tão efémero mas tão puro quanto me consigas amar, e quando der conta já estaremos velhinhos e o remédio, será parar.

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