Domingo, 13 de Junho de 2010

- Danças comigo? - Perguntas em tom trágico e obsoleto, como que a adivinhar uma resposta que não queres ouvir e que eu não quero dar. E escorremos tão bem enquanto dançamos, numa condução embriagada de culpas e desculpas que não se deixam ouvir e se dissolvem, como nós, pela música que nos engole e faz girar em torno do tempo que sabemos perdido. Música cruel, a fazer-nos lembrar que não somos perfeitos, que estamos a pisar um chão demasiado gasto pelos nossos pés que tanto correram sobre si, numa fuga inatingível perante o tempo. A retratar as nossas vidas e a trazer-nos a certeza de que alguém já escreveu sobre nós, como se fossemos amplamente proféticos para que isso acontecesse. Mas somos a música mais bonita, meu amor.
O ser humano, demasiado depressivo, a admirar as coisas mais tristes, a admirar a letra que nos conta e a música que nos explica, assim, como quando dançávamos nas frestas de inocência do mundo.

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