Estás em mim a uma velocidade alucinante. Corres-me nas veias mais certo do que o sangue. Purificas-me no coração, sobes-me à cabeça e manténs-me viva. Sou tão tu que me esqueço de ser eu e já não sei de onde venho, para onde vou, quem sou, ou melhor, sou tu. És a minha respiração, inspiro-te e não te expiro, consumo-te até ao tutano, lambo-te as feridas que agora são minhas e mantenho-te vivo na minha essência. Trago-te pelo mundo numa ânsia de não te perder, num sufoco de remediar o que não pude salvar. És pele, cheiro, olhar e sorrisos. Estás tão cheio de vida que pareces real; estou tão cheia de ti que me sinto sobrenatural. O sabor das coisas na minha boca sabem ao gosto que lhes dás, deixei as músicas comerciais e dediquei-me a êxitos intemporais. O que sou não sou eu, jamais seria tão completa e capaz, jamais teria a coragem de elevar a alma ao etéreo a que me levas. Sou tu, tenho-te em cada poro, permeável forma a que me abandonei para te absorver e reter, inerte no meu corpo; demasiado pequeno para ti, demasiado grande para mim.
0 comentários:
Enviar um comentário