Sinto falta de ter tempo para as pessoas. Tempo para ter atenção para dar, atenção para sorrir, atenção para amar. E quando tenho tempo não tenho vontade e a culpa toma-me a mente. A sociedade está doente e eu sinto-me doente também. Doente de amor preso, amarrado em mim, doente de dolorosa sobriedade que me leva ao enlevo da solidão. Quero ter tempo para dar, para dar de mim, para me dar a mim, para sair deste labirinto consciente que me compassa a vida em rotina amarfanhada. Tempo que não se esgote e tempo que ande para trás. Quero saber ao que vou, quero saber ir sabendo de onde venho. Saber sair vitoriosa ou derrotada sem ainda assim dar nada por perdido. Quero esgotar o tempo de cada momento, consumir à exaustão cada segundo replicado nos olhos de quem amo. Quero deixar de saber de tudo e passar a saber de nada, quero esquecer o que aprendi e cingir-me ao básico da existência; o amor ao próximo. E deixar assim de sentir falta de quem amo.
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