Sei de cor o compasso musical da tua voz, sei do teu jeito de ser, da impaciência que provoca e do desajeito da tua alma pouco clara. Sei de ti nos nós dos meus dedos desavindos, sei do mundo que pisas, das convicções que esboroas em desengonçado paleio. Sei no que acreditam os teus olhos e do que percorre pela tua mente, tão complexa e extremista, quanto simples e modesta. Sei do teu corpo abandonado no meu, onde pousam os meus olhos e onde me esqueço de mim. Sei do efeito da tua ausência, perdido na pele, amarrotado em folhas de papel.
Vagarosa presença em mim, prolongada em efeitos secundários de consumo excessivo. A teatralidade que encenamos, a esperança do sonho americano. As horas em que te desdenho, desfiando tempo, inventando palavras. A composição onde te escrevo, te apago e te aprimoro, assim, como aqui, para te dizer que te adoro.
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