Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

Quando nos julgamos reis de algo, não somos donos de coisa nenhuma. A eloquência de um pensamento superior fica abaixo da humildade de nada saber. O foco está na evolução interior, no crescer, no desenvolver capacidades humanas que nos levem à concretização de um ser espiritual, desenvolvido e moralmente capaz. Nem toda a ciência, nem a engenharia, nem toda a tecnologia do mundo está na ponta dos nossos dedos. O que temos é o que somos e o que somos revela-se na plenitude com que vivemos a vida. Na genuinidade dos nossos gestos, na curvatura das nossas costas ao próximo, no respeito mútuo e na salubridade que emprestamos à sociedade, cada vez mais doente e consumida de si própria. O individualismo trapaceiro, a vontade de ser melhor que o vizinho moribundo, a escassez de entreajuda e o amor pelo próprio umbigo estão a desfazer as ligações humanas. Hoje fazem-se coligações, sociedades, firmas, grupos de intrujões, cada burro a puxar a sua carroça. A ganância, mascarada de inveja, ocupa o grande plano que tapa o sol a cada dia.

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