Quando a poesia não é mais que o encorpar dos desejos, o resgatar das memórias e empilhar de sentimentos. Quando a escrita nos serve de bengala à explosão dos sentidos, ao desanuviar da alma e da escuridão dos dias. Portugal, país de letras, grandes poetas e dramaturgos, país com história no papel, desenhado em letras minuciosamente cuidadas, arrebatadas pela eternidade. Orgulhoso, de peito feito, nariz empinado para o céu deste pedaço de terra. Portugal pode até estar em crise económica, mas pode gabar-se de não ter crise de escritores, de grandes escritores, daqueles que nos fizeram elevar os sonhos. Hoje, o português de Portugal, o verdadeiro, o maternal, morre (!) à força de um acordo ortográfico (e à portuguesa) mal parido. À força destes novos portuguesinhos que colocam a média da disciplina primordial (a Língua Portuguesa) a um nível vergonhoso… E foi Camões atirar-se ao mar em socorro dos seus “Lusíadas”.
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